O prefeito Ricardo Bocalon recebeu nesta quarta-feira, 5, em seu gabinete, o tenista e medalha do ouro na Special Olympics, Adilson Nascimento da Silva, durante uma série de homenagens realizadas ao atleta que escreveu seu nome na história do esporte de Itupeva, além de Bruno Daniel dos Santos, Jobe Alves dos Santos e Francisco Marques de Souza que foram medalhistas nas Olimpíadas das APAES, que aconteceu no final de julho na Cidade de Guaira, interior de São Paulo.
“Eles são um orgulho para a cidade de Itupeva, espero que esse trabalho bonito de inclusão social que vem sendo realizado pela APAE em nossa cidade, que é uma amostra da junção de amor com a dedicação e tem o poder de transformar o mundo, continue, estamos vendo isso pelo trabalho de cada funcionário e professores da APAE”, disse o prefeito.
O presidente da APAE, Edielson Souza, que também esteve presente no gabinete, destacou o desempenho de Adilson e falou do trabalho realizado pela APAE em Itupeva:
“Ele (Adilson) é um orgulho que nós temos e o ouro que ele conquistou em Los Angeles é o resultado de um trabalho realizado pela APAE em conjunto com a Academia Kim Tênis, que cede o espaço e os equipamentos para os nossos alunos, e o apoio dado pela prefeitura. Hoje temos muitos alunos que praticam alguma modalidade como o tênis e arremesso de disco e com essa atividade hoje muitos deles como o Bruno, Jobe e o Francisco, levam o nome da APAE e de Itupeva pelas competições.”.
A conquista
Acostumado a quebrar barreiras, o tenista itupevense, Adilson Nascimento da Silva, portador de deficiência intelectual, venceu no último sábado, 1, o maior desafio de sua vida, ao derrotar o atleta da São Vicente e Granadinas na final da modalidade na Special Olympics World Games de 2015, ou Jogos Mundiais Olímpicos para Pessoas Especiais, que foi realizado na cidade de Los Angeles de dia 25 julho a 2 de agosto e reúne mais de sete mil atletas de 170 países.
“Eu estou muito feliz, pode ter sido um caminho difícil pra chegar até aqui, mas compensa quando você olha pra quadra e vê a alegria, felicidade estampado no rosto dele, não têm palavras, é demais”, disse emocionada após a final Jane Bergantim, técnica de Adilson e da seleção brasileira, responsável pela inserção dele no tênis há quase 10 anos.
Depois de passar pelas 4 partidas da fase preliminar e brilhar diante do tenista uruguaio nas semifinais, ao vencer por 2 x 0, parciais de 4/0 e 5/3, a timidez de Adilson deu lugar ao nervosismo de uma final como ele mesmo disse “eu fiquei muito nervoso” ao entrar na quadra quando o relógio marcava 10h na cidade de Los Angeles (11h no horário de Brasília).
O placar e a aparente tranquilidade nas rebatidas de Adilson não demonstravam o equilíbrio do jogo que foi por muitas vezes decididos nos detalhes, vencendo por 2 x 0, parciais de 4 /0 e 4/2, o itupevense revelou que sentiu medo de sofrer uma virada no segundo set:
“Teve uma hora durante a partida que eu senti um pouco de medo de perder, principalmente porque ele (adversário) rebatia muito forte.”. Mas com a medalha no peito Adilson deixou o nervosismo e medo de lado para que de sua forma comemorar e dar lugar para a alegria dizendo “estou muito feliz”.
Com a medalha de ouro Adilson se junta aos tenistas formados por Jane na APAE de Itupeva: Sineone Arruda de Souza, Maria das Graças Rufino da Silva e Daiane da Silva Costa, que conquistaram o ouro na edição da Grécia em 2011.
Realização de um sonho
Antes da conquista do ouro Adilson já dizia ter realizado seu sonho ao saber da conquista da vaga para a Special Olympics.
O rapaz de poucas palavras como “estou feliz” e “é legal”, de 21 anos, criado no bairro Bom Jardim e que hoje mora no Santa Helena parece não estar acostumado com o posto de único atleta da cidade a participar da Special Olympics, que frequentou por quase 10 anos na APAE, onde ele conheceu a sua técnica, Jane Bergantim, começou a praticar tênis e conseguiu o emprego na Vip Embalagens, disse uma frase que destoa de seu vocabulário “é a realização de um sonho”.
A frase de Adilson representou todo o caminho percorrido por um portador de deficiência intelectual e paralisia parcial no lado direito do corpo que pratica tênis há 7 anos e que transformou suas limitações em resultado e após as disputas de alguns festivais e duas seletivas ele enfrentará sua primeira grande competição.
A mãe do tenista, Maria Aparecida do Nascimento, destacou o papel do esporte na vida de seu filho e diz que ele nunca teria chegado tão longe sem o tênis:
“A gente fica muito contente, se não fosse pelo esporte ele nunca chegaria onde está chegando, estou mais contente do que ele, é um orgulho o ver quebrando barreiras”, disse a mãe.
Trabalhando há 11 anos com deficientes intelectuais e físicos Jane Bergantim é responsável pelo projeto de tênis na APAE e o PEPT, Programa Esporte Para Todos, oferecido pela Prefeitura desde 2014, Jane é técnica de Adilson e da equipe brasileira de tênis. Ela se mostra contente com seu pupilo e se diz orgulhosa com a classificação dele e fala do poder do esporte:
“É um orgulho ver o patamar que ele alcançou chegar a disputar uma competição a nível mundial, isso mostra o poder de transformação que o esporte tem, será que sem a prática esportiva ele iria para Los Angeles?”, diz a técnica.
Saiba sobre a Special Olympics
O conceito da Special Olympics nasceu ainda na década de 1960, quando Eunice Kennedy Shriver começou a realizar encontros no jardim de sua residência para que pessoas com diferentes capacidades intelectuais praticassem esportes.
Daí foi criado a Special Olympics, uma organização mundial sem fins lucrativos que atende milhares de crianças e adolescentes especiais por meio de treinamento e competição esportiva durante todo o ano.
No Brasil, há um braço especial da organização, a Special Olympics Brasil, que tem 53 mil atletas cadastrados.
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