Tenista itupevense é campeão da Special Olympics - Jornal Agora Regional

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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Tenista itupevense é campeão da Special Olympics


Acostumado a quebrar barreiras, o tenista itupevense, Adilson Nascimento da Silva, portador de deficiência intelectual, venceu no último sábado, 1, o maior desafio de sua vida, ao derrotar o atleta da São Vicente e Granadinas na final da modalidade na Special Olympics World Games de 2015, ou Jogos Mundiais Olímpicos para Pessoas Especiais, que está foi realizada na cidade de Los Angeles, de 25 de julho a 2 de agosto, reunindo mais de sete mil atletas de 170 países.

“Eu estou muito feliz, pode ter sido um caminho difícil pra chegar até aqui, mas compensa quando você olha pra quadra e vê a alegria, felicidade estampados no rosto dele, não têm palavras, é demais”, disse emocionada após a final Jane Bergantim, técnica de Adilson e da seleção brasileira, responsável pela inserção dele no tênis há quase 10 anos.

Depois de passar pelas 4 partidas da fase preliminar e brilhar diante do tenista uruguaio nas semifinais, ao vencer por 2 x 0, parciais de 4/0 e 5/3, a timidez de Adilson deu lugar ao nervosismo de uma final, como ele mesmo disse, “fiquei muito nervoso” ao entrar na quadra quando o relógio marcava 10h na cidade de Los Angeles (11h no horário de Brasília).

O placar e a aparente tranquilidade nas rebatidas de Adilson não demonstravam o equilíbrio do jogo, que foi, por muitas vezes, decidido nos detalhes. Vencendo por 2 x 0, parciais de 4 /0 e 4/2, o itupevense revelou que sentiu medo de sofrer uma virada no segundo set: “Teve uma hora durante a partida que eu senti um pouco de medo de perder, principalmente porque ele (adversário) rebatia muito forte.”. Mas com a medalha no peito Adilson deixou o nervosismo e o medo de lado para que, de sua forma peculiar de comemorar, dar lugar para a alegria dizendo “estou muito feliz”.

Com a medalha de ouro, Adilson se junta aos tenistas formados por Jane na APAE de Itupeva: Sineone Arruda de Souza, Maria das Graças Rufino da Silva e Daiane da Silva Costa, que conquistaram o ouro na edição da Grécia em 2011.

Realização de um sonho



Antes da conquista do ouro, Adilson já dizia ter realizado seu sonho ao saber da conquista da vaga para a Special Olympics.

O rapaz de 21 anos e poucas palavras como “estou feliz” e “é legal”, criado no bairro Bom Jardim e atualmente morando no Santa Helena, frequentou por quase 10 anos a APAE, local onde conheceu a sua técnica, Jane Bergantim e começou a praticar tênis; conseguiu um emprego na Vip Embalagens e parecia não estar acostumado com o posto de único atleta da cidade a participar da Special Olympics, com uma frase que destoa de seu vocabulário “é a realização de um sonho”. A frase de Adilson representou todo o caminho percorrido por um portador de deficiência intelectual e paralisia parcial no lado direito do corpo que pratica tênis há 7 anos, transformou suas limitações em resultado e, após as disputas de alguns festivais e duas seletivas, enfrentou sua primeira grande competição.

A mãe do tenista, Maria Aparecida do Nascimento, destacou o papel do esporte na vida de seu filho e diz que ele nunca teria chegado tão longe sem o tênis: “A gente fica muito contente, se não fosse pelo esporte ele nunca chegaria onde está chegando, estou mais contente do que ele, é um orgulho vê-lo quebrando barreiras”, disse.

Trabalhando há 11 anos com deficientes intelectuais e físicos, Jane Bergantim, técnica de Adilson e da equipe brasileira de tênis, é responsável pelo projeto de tênis na APAE e o PEPT - Programa Esporte Para Todos, oferecido pela Prefeitura desde 2014. Ela se mostra contente com seu pupilo e se diz orgulhosa com a classificação dele e fala do poder do esporte: “É um orgulho ver o patamar que ele alcançou, chegar a disputar uma competição a nível mundial, isso mostra o poder de transformação que o esporte tem, será que sem a prática esportiva ele iria para Los Angeles?”, diz a técnica.

Saiba sobre a Special Olympics

O conceito da Special Olympics nasceu ainda na década de 1960, quando Eunice Kennedy Shriver começou a realizar encontros no jardim de sua residência para que pessoas com diferentes capacidades intelectuais praticassem esportes.

Daí foi criado a Special Olympics, uma organização mundial sem fins lucrativos que atende milhares de crianças e adolescentes especiais por meio de treinamento e competição esportiva durante todo o ano.

No Brasil, há um braço especial da organização, a Special Olympics Brasil, que tem 53 mil atletas cadastrados.

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